Campanha de Vacinação contra Sarampo começa em agosto

Secretaria Municipal de Saúde ressalta que doses ficam disponíveis nos postos durante todo o ano

Terá início no próximo mês, a Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo. A doença, declarada erradicada no Brasil em 2016, voltou a ameaçar e virar motivo de preocupação, por causa do grande número de pessoas desprotegidas. As estimativas apontam que só em território mineiro, cerca de seis milhões de habitantes não foram imunizados.

Este mês, casos confirmados em diversos pontos do país, inclusive no vizinho estado do Rio de Janeiro, têm deixado a população em alerta. Em Minas Gerais, a cobertura está abaixo do desejado, que é de 95%, deixando um contingente considerável suscetível à virose, que é altamente contagiosa, podendo se instalar de forma grave e até matar. Mais de 50 notificações estão sob análise.

Para evitar um surto da enfermidade, o governo federal deu início a uma mobilização, que será realizada entre os dias 06 e 31 de agosto. O público-alvo é composto, principalmente, pelas crianças de um a cinco anos incompletos. Será oferecida também a vacina contra a poliomielite.

 Dia D

De acordo com a enfermeira Helen Cristina, servidora do Setor de Epidemiologia da Prefeitura, a maioria dos pais levam os filhos para receber a imunização, mas ainda há uma parcela que esquece. Ela ressalta ainda que as doses ficam disponíveis nos postos durante todo o ano. Mas, a campanha visa facilitar o acesso e, no período, poderão ser atualizadas as cadernetas dos menores de 12 meses.

O “Dia D” está marcado para sábado, 18, quando as unidades de saúde de todas as regiões ficarão abertas das 08h às 17h. Haverá pontos de apoio instalados no Aeroporto, Santa Edwiges, São Judas Tadeu e Leonane.

A primeira dose da vacina é tríplice viral e deve ser tomada quando a criança completa um ano. A segunda, que corresponde à tetraviral (sarampo, caxumba, rubéola e varicela) precisa ser aplicada aos 15 meses, junto à prevenção contra a varicela. A partir dos cinco até aos 29 anos de idade, a recomendação é de que sejam administradas duas doses da tríplice viral, um reforço. Quem tem entre 30 e 49 necessita de apenas uma.

Recém-nascidos e bebês abaixo dos seis meses de vida não devem ser vacinados. No caso de pessoas com mais de 49 anos, que nunca foram imunizadas, o Ministério da Saúde orienta que não sejam vacinadas, pela possibilidade de já terem entrado em contato com o vírus e, por isso, estarem imunes ao sarampo.

Gestantes também não devem receber a vacina e há indicação de que a gravidez seja evitada por pelo menos 28 dias após a imunização. A preconização para as gestantes que nunca se imunizaram é de que façam isso no pós- -parto, para proteger o recém- -nascido indiretamente, por meio da amamentação.

Doença

O sarampo é uma doença infecciosa aguda, viral, transmissível, extremamente contagiosa e muito comum na infância. A contaminação ocorre diretamente, de pessoa a pessoa, geralmente por espirros, fala ou respiração, por isso a facilidade de contágio.

Além de secreções respiratórias, também é possível se infectar através da dispersão de gotículas com partículas virais no ar, que podem perdurar por tempo relativamente longo no ambiente, especialmente em locais fechados como escolas e clínicas.

Entre os sintomas iniciais estão febre, acompanhada de tosse persistente, irritação ocular, coriza e congestão nasal, além de mal-estar intenso. Após estes sinais, aparecem manchas avermelhadas no rosto, que progridem em direção aos pés, com duração mínima de três dias. São comuns lesões muito dolorosas na boca.

A enfermidade pode agravar, com acometimento do sistema nervoso central e evoluir para infecções secundárias, como pneumonia, o que gera risco de morte. As complicações atingem mais os desnutridos, os bebês, as gestantes e as pessoas portadoras de imunodeficiências.

 Surto

De acordo com o Ministério da Saúde, o país enfrenta dois surtos de sarampo, em Roraima e no Amazonas. Nesse último estado, até o último dia 27, haviam sido registrados 265 casos e 1.693 permaneciam sob investigação. No Rio de Janeiro foram informadas 18 suspeitas, sendo duas dessas notificações confirmadas. Além disso, há casos isolados e relacionados a pacientes que se contaminaram em outros estados.

Conforme informações da Secretaria de Estado de Saúde de Minas – SES -, em 2017, a cobertura vacinal da triviral como primeira dose foi de 83,69%. Em relação à segunda, o índice foi ainda menor, 74,84%. Já em 2018, até maio, a primeira imunização alcançou 77,56% do público-alvo, enquanto a outra protegeu apenas 61,21% dos bebês, percentuais bem abaixo da meta de 95% de cobertura.

O vírus ainda circula em grande quantidade em várias regiões da Europa e da América, e voltou ao Brasil com as migrações e as viagens internacionais. Outro fator determinante para o retorno do sarampo é a baixa imunização dos brasileiros, nos últimos anos. Segundo dados do Ministério da Saúde, a cobertura vacinal no Brasil da tríplice viral chegou aos 100% de 2004 a 2011, mas começou a decair desde então.

Embora a única prevenção eficaz seja a vacina, a SES ressalta como cuidados para se esquivar das enfermidades de transmissão respiratória a higiene das mãos com água e sabão; não tocar os olhos, nariz ou boca depois de contato com superfícies; usar lenço de papel descartável; proteger com lenços a boca e nariz ao tossir ou espirrar, para não disseminar gotículas, além de evitar aglomerações e ambientes fechados.

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