Associação das Mineradoras de Serra Azul apresenta plano de segurança para barragens

0
337

A tragédia ambiental que se abateu sobre Brumadinho, com o rompimento da barragem de rejeitos na Mina Córrego do Feijão, acendeu o alerta vermelho em todas as cidades que abrigam polos de mineração. Em Itaúna, devido às atividades desenvolvidas por diversas empresas na região, o temor apareceu rapidamente nas redes sociais. O médico Alessandro Bao Travizani cobrou de forma incisiva da Câmara Municipal e do Ministério Público uma fiscalização nas barragens das mineradoras do complexo.

Na tarde de segunda-feira, 28, o Legislativo anunciou medidas para verificação dos empreendimentos. O presidente da Casa, Alexandre Campos e o vice, Hudson Bernardes, estiveram em Itatiaiuçu para reunião com os vereadores e prefeito daquela cidade. Depois do encontro, Campos disse que o que encontrou serviu para traçar estratégias e solicitar documentação das barragens, com o objetivo de analisar o nível de segurança. Ele explicou que o objetivo é de tomar conhecimento da real situação para, posteriormente, se for o caso, solicitar medidas aos órgãos competentes.

Apesar da mobilização, especialistas alertam que a ação trata-se mais de um “marketing de oportunidade” do que propriamente uma ação concreta. Itaúna não tem nenhuma área de mineração em seu território, apenas os escritórios das mineradoras. A competência para fiscalizar a segurança das barragens é da Agência Nacional de Mineração – ANM -, segundo a Política Nacional de Segurança de Barragens (Lei n. 12.334/2010).

Já o chefe do Cartório Eleitoral, Euder Monteiro, publicou uma imagem de satélite com indicações das minas e barragens existentes na região e questionou se a cidade estaria na “rota de outras lamas”.

Diversos seguidores do servidor público responderam a questão e demonstraram receio de um acidente ambiental. O professor Moisés Perillo, que deu aulas inclusive no curso de Gestão Ambiental da Universidade de Itaúna, cita o fato de as minas estarem localizadas na vertente Sul da Serra, o que, segundo ele, não traz uma preocupação tão iminente para a cidade, em caso de um possível acidente. Em virtude da localização geográfica, a bacia hidrográfica do Rio Manso seria mais afetada.
A fala do especialista reforça os argumentos de ambientalistas e das próprias mineradoras. Apesar da preocupação coletiva, pelo fato das barragens existentes no complexo de mineração em Itatiaiuçu estarem localizadas na vertente Sul da Serra de Itatiaiuçu, e Itaúna e a bacia do Rio São João estarem no lado norte, em caso de uma tragédia semelhante a de Mariana e Brumadinho a cidade sofreria com as consequências apenas de forma indireta.

Apesar do aparente alívio, um inventário da Fundação Estadual do Meio Ambiente – Feam -, e estudos técnicos do Ministério Público apontam para existência de 50 barragens sem garantias de estabilidade. Ressalta-se que nem todas são de rejeitos.

Em comunicado interno, divulgado no dia 26 de janeiro, a Mineração Usiminas – Musa – reforçou que mantém monitoramento geotécnico das barragens, com inspeções visuais e leitura de instrumentos, sempre com foco na segurança dos colaboradores e das comunidades localizadas no entorno da unidade. A publicação cita ainda as auditorias internas e externas a cada seis meses.

Na manhã de quinta-feira, a Associação das Mineradoras da Serra Azul – Amisa – realizou um encontro no escritório central da Musa, no povoado de Samambaia. O objetivo, segundo a entidade foi esclarecer sobre a segurança das barragens, monitoramento das estruturas e mostrar o plano de ação emergencial das empresas, caso ocorra algum desastre. 

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui