Juatubense é uma das 54 crianças em Minas que esperam por um transplante de órgão

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Com menos de 2 anos, o pequeno Pedro Ramos já trava uma verdadeira batalha pela vida e aguarda a doação de um rim

Dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos – ABTO –, referentes a dezembro de 2018, apontam que 54 crianças aguardam na fila por um órgão em Minas Gerais, o que colocou o estado em 2º lugar no ranking nacional, perdendo apenas para São Paulo, que tem 372.

Além da angustia e expectativa para que a espera chegue ao fim, até que o transplante se torne uma realidade, tanto as crianças quanto os pais vivem rotinas desgastantes. Uma das crianças que passa por tudo isso é o Pedro Ramos de Aguiar, de apenas 1 ano e nove meses, de Juatuba.

Pedro aguarda por um transplante de rim desde que nasceu e o caso dele é ainda mais complexo porque a espera pelo órgão compatível não é o único obstáculo enfrentado pelo garoto. Com má formação da bexiga, ele ainda precisa passar por uma cirurgia corretiva e ganhar peso até atingir dez quilos, mínimo exigido para ser submetido ao procedimento.

Na Santa Casa de Belo Horizonte, hospital referência no segmento, Pedro e outros 20 meninos e meninas passam por hemodiálise durante quatro horas por dia, três vezes por semana. Uma rotina desgastante, que demanda dedicação integral de Ilza Ramos, de 31 anos, mãe de Pedro.

Ilza teve que abrir mão de trabalhar para se dedicar exclusivamente aos cuidados com a saúde do filho. Todas as segundas, quartas e sextas-feiras pela manhã ela sai de Juatuba rumo ao hospital em Belo Horizonte. “A gente busca um mínimo de assistência, mas é tudo muito difícil. Só com fraldas gastamos mais de R$ 300 por mês”, lamenta.

Entre o grupo de órgãos considerados sólidos – não incluem medula óssea nem córneas –, os rins são os mais transplantados em pacientes pediátricos em Minas, assim como no resto do país. No ano passado, 24 cirurgias foram realizadas no estado, conforme informações da ABTO. 

Doação de órgãos

A nefrologista pediátrica Karina de Castro Zocrato, da Santa Casa de Belo Horizonte, ressalta que histórias assim só reforçam o quanto é importante conscientizar a sociedade sobre a doação de órgãos. 

“Muitas dessas crianças perguntam quando poderão tomar água à vontade, algo tão simples”, diz Karina. “É essencial conscientizar as pessoas sobre a importância de ser doador. Isso faz toda diferença”, acrescenta. 

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