Após temporada de linhas com cerol e atropelamentos, desafio de ONG de Juatuba é salvar animais silvestres das queimadas

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 “Asas e Amigos” está com superlotação; para tentar diminuir número de bichos maltratados, organização começou a promover campanhas de conscientização

Pioneira, e única no país, no resgate de animais silvestres com deficiência física e vítimas de maus-tratos, a Organização Não Governamental – ONG – Asas e Amigos está com superlotação, abrigado 540 animais, 140 a mais que sua capacidade.

A ONG, que hoje é referência, foi criada pelo médico veterinário Marcos de Mourão Motta, com o objetivo de evitar que animais que sofreram algum tipo de ferimento que deixou sequelas fossem largados à própria sorte, sem condições de se reinserirem em seus habitats naturais. “Com esse modelo de receber animal que não tem retorno para a natureza, sem perna, sem asa, eu sou o único que trabalha com isso, porque bicho aleijado e feio ninguém quer, nem o governo, que quer soltar um bicho bonito e que sobreviva na natureza”, comenta Marcos.  

O santuário animal é um criadouro de três mil metros quadrados, localizado em Veredas da Serra, em Juatuba. Marcos ressalta que o projeto surgiu pela falta de profissional da área de silvestres e o acumulo de animais em clínicas veterinárias. “Quando eu comecei a trabalhar com veterinária não tinha ninguém que atendesse animais silvestres, então muita gente me procurava, mas as pessoas ficavam com medo de que eu denunciasse para a polícia. O número de animais abandonados era grande. Então, ela (ONG) começou aí, por esses abandonos que as pessoas faziam com medo de ser denunciadas e pela falta de pagamento”, relata.

Com a ajuda de funcionários, a ONG tem uma conta mensal de cerca de R$ 30 mil por mês com gastos em salários, comida, remédio e tratamento. Marcos arca com as despesas usando parte de recursos da clínica particular que possui e parte com ajuda de doações. “Sempre fica uma dívida, um empréstimo que precisa ser feito, nunca da para fechar certinho não”, afirma o veterinário. Mesmo com lotação máxima, não pelo tamanho da propriedade, que ainda comporta muitos animais, mas pela falta de recursos financeiros para mantê-los, a ONG não recusa a chegada de mais animais, levados pelo Ibama, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis.

O órgão do governo é responsável por fiscalizar o tráfico de animais e recolher aqueles criados sem licença ou vítimas de atropelamento, trabalho desenvolvido em parceria com a Polícia do Meio Ambiente e com o Instituto Estadual de Florestas – IEF. Entretanto, os órgãos só fazem a triagem do animal e não podem abrigá-los depois do tratamento, como explica Marcos. “Por exemplo, no mês de julho recebemos muitos animais que são mutilados por linhas de cerol, então esses órgãos fazem uma avaliação no animal, se ele está bem e pronto para voltar para a natureza é realizado um processo para isso, agora, se o bicho está machucado, precisa ser internado e de um tratamento intenso, eles mandam para a minha clínica em Belo Horizonte, depois que esse animal sara,  se ele tiver condições de voltar para a natureza eu comunico a ele, se não eu trago para Juatuba, onde ele fica até o último dia da vida dele”, explica.

Por essas razões, a ONG precisa estar sempre com “vaga” para os animais, pois como os órgãos não realizam o processo de acolhimento, muitos acabam sendo sacrificados pelo Estado por não terem condições de retornar a natureza, seja por adaptação ou deficiência.

Os únicos animais recusados pela Asas e Amigos são os domésticos, porque de acordo com o veterinário, além do Ibama não permitir, há muitos protetores e órgãos que acolhem esses tipos de bicho, podendo sempre que possível, serem amparados.

Conscientização ambiental

A ONG está investindo em projetos de conscientização ambiental, para ensinar as crianças sobre a importância dos cuidados com a natureza e com os animais, uma intenção que surgiu após a percepção que a situação desses animais só mudaria, se o comportamento das pessoas em relação aos bichos mudasse. “Fazemos palestras em escolas, neste mês de agosto estamos até com uma agendada em Juatuba, ensinamos as crianças para que cresçam com a consciência em relação ao meio ambiente, além de recebermos pessoas que estão formando e estudando, explicando os desafios e isso é importante porque o animal não pediu para estar nessa situação que ele se encontra”, comenta Marcos.

Períodos mais críticos

O veterinário explica ainda que os maus-tratos aos animais ocorrem com mais frequência em determinadas épocas do ano. Segundo ele, o mês “campeão” com casos de aves sem asas é julho, devido à temporada de soltar pipas com linhas com cerol. Já entre dezembro e fevereiro é quando acontece o maior número de tráfico animal, devido às reproduções. Nas épocas de férias aumentam também os números de atropelamentos dos bichos e entre agosto e setembro o problema é o grande número de queimadas, inimigas da vida silvestre.

Doações

Marcos tem uma difícil missão, mas não abandona e dedica a vida, tempo e dinheiro pela causa, mesmo com todos os desafios. “Quando recebemos o animal, temos que dar condições para ele, tem investimento no tratamento, cirurgia, sabendo que não há esse retorno financeiro, fazemos isso porque gostamos do bicho mesmo e se investe para que ele fique ‘perfeito’ de novo e volte a natureza, mas nem sempre conseguimos isso e temos que batalhar para arrecadar dinheiro para mantê-los e muitas vezes nem chegamos a metade”, relata o veterinário.

O espaço é aberto para visitação, desde que seja agendada. Além disso, é possível apadrinhar um animal com doações de R$ 20 por mês, através do site www.asaseamigos.com.br ou podem ser feitas doações de qualquer valor por meio de depósito no banco Itaú, agência 0689, conta-corrente 02806-6, CNPJ 14.745.015/0001-93, ONG Asas e Amigos da Serra.

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