Após semana do Idoso, intensifica debate sobre falta de acolhimento da família

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Responsáveis pelo Lar São Mateus, em Mateus Leme, e Casa de Repouso Sônia Filha, em Juatuba, dizem que é preciso reconhecer o valor da terceira idade

O JORNAL DE JUATUBA E MATEUS LEME traz duas entidades que acolhem a terceira idade nos municípios. Segundo pesquisa realizada pelo Sistema de Indicadores de Saúde e Acompanhamento de Políticas do Idoso – SISAP – do Ministério Público, em 2015 residiam em Mateus Leme 3.833 idosos, cerca de 13,7% da população, enquanto Juatuba tinha 2.563 pessoas na terceira idade, quase 11,5% do número de habitantes.

 A estimativa é que esse número aumente a cada ano, como mostra estatística do IGBE que prevê que em 2025, 13,34% dos mineiros estarão com mais de 60 anos e o Brasil com 31,8 milhões de pessoas idosas se tornará a sexta maior população do mundo. Mas, será que o país, Minas e principalmente Juatuba e Mateus Leme estão preparadas para acolher os mais velhos?

Responsáveis pelo Lar São Mateus em Mateus Leme e Casa de Repouso Sônia Filha, em Juatuba acreditam que não. “Hoje, o maior índice de suicídio é de pessoas com mais de 70 anos. Nossos idosos têm gritado silenciosamente por socorro, dentro de nossas próprias casas. E, erroneamente, ligamos o termo idoso à doença e à ideia, totalmente absurda, de que a pessoa precisa estar sempre inativa, em repouso ou descansando”, explica Selene Maria Corrêa Santos, diretora da Casa de Repouso Sônia Filha.

Thiago Fraga de Oliveira, coordenador administrativo do Lar São Mateus acredita que Mateus Leme peca, como a maioria das cidades, pela falta de acessibilidade e de instituições dedicadas a amparar idosos. “O lar São Mateus é pequeno e temos muita demanda. Recebo ligações de famílias desesperadas pedindo vaga e tenho que explicar que para ter uma vaga, um interno tem que morrer. É uma situação muito triste para nós recusar atendimento, mas não temos capacidade”, afirma.

O coordenador diz que a instituição é pequena para o tamanho e porte da cidade e que teria que ser construído um asilo com, no mínimo, 100 vagas. “Aqui acolhermos idosos de renda baixa e já abrigamos pessoas que não tinham sequer o que comer, com feridas e muitas limitações”.

Em Mateus Leme, a Secretaria Assistência Social mantém investimentos no lazer e bem- -estar das pessoas da terceira idade, por meio do projeto Feliz Idade que beneficia 80 usuários e oferece alfabetização, fisioterapia, aferição de pressão e palestras. O Centro de Referência Especializada de Assistência Social – CREAS – também atende demandas para garantia dos direitos dos idosos no município.

A família é a maior saudade do idoso

Segundo o coordenador administrativo do Lar São Mateus, a maioria dos internos reclama por não receber visitas de familiares, mas afirmam ter construído uma família na instituição. “Muitos deles não estão lúcidos, então não sabem o que acontece. Porém, os que estão, sentem muita falta do apoio familiar”, relata Thiago Fraga.

 “Meu filho não vem me ver, nem meus sobrinhos; mas fiz amigos e uma família aqui, estou bem e viva”. A fala é de Francisca da Cruz, interna do Lar São Mateus que se diz acolhida no lar, apesar da falta dos familiares.

A diretora da Casa de Repouso Sônia Filha salienta que apesar de ser necessário ter atenção e cuidados especiais com os idosos, o maior clamor deles é se sentirem úteis novamente, voltando às atividades rotineiras.

Cuidados

O Lar São Mateus abriga 32 idosos que destinam 70% de suas aposentadorias e benefícios para a instituição. Os recursos não são suficientes e são complementados através de convênio com as prefeituras de Juatuba e Mateus Leme.

Thiago Fraga ressalta que a ajuda vem ainda da população mateus-lemense, que doa fraudas, alimentos e dinheiro. “Também realizamos bazar, bingo, feijoada e eventos para captar recursos e pagar as despesas de alimentação e roupas. O dinheiro é usado ainda para a compra de medicamentos e para pagar exames que o SUS não cobre ou que o paciente precisa com mais urgência”, relata. Já a Casa de Repouso Sônia Filha abriga 12 idosos e inaugura no próximo dia 22 de outubro mais uma unidade, com 20 vagas. “Os idosos que assistimos têm melhora sensível do quadro clínico, independente de qual seja ele. Isto em decorrência dos trabalhos das oficinas, das rodas de conversas, dos estímulos e sentimentos resgatados através da música e o efeito claro das doses diárias de carinho e atenção, com demonstrações de como eles são úteis e importantes”

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