Juatuba e Mateus Leme podem ter o abastecimento de água comprometido

0
552

Situação de alerta é resultado da contaminação do Paraopeba depois do rompimento de barragem em Brumadinho

Juatuba e Mateus Leme podem ter o abastecimento de água comprometido por causa da suspensão da captação no rio Paraopeba, em Brumadinho, tomado pela lama depois do rompimento da Mina Córrego do Feijão, da Vale. Consta em laudo elaborado pela Copasa que há possibilidade de rodízio ou racionamento do recurso hídrico.

Outras 15 cidades da região metropolitana, incluindo Belo Horizonte, também poderão ficar sem água. Diante do risco iminente, o governo de Minas Gerais pressiona a mineradora a adotar medidas emergenciais. A Advocacia-Geral do Estado – AGE –acionou a Justiça para que a empresa inicie, imediatamente, a captação em trechos do manancial não afetados pelos rejeitos de minério.

De acordo com a Agência Nacional de Águas – ANA –, o sistema Paraopeba era responsável por atender Belo Horizonte, Betim, Contagem, Esmeraldas, Ibirité, Igarapé, Juatuba, Mário Campos, Mateus Leme, Pedro Leopoldo, Ribeirão das Neves, Santa Luzia, São Joaquim de Bicas, Sarzedo e Vespasiano. Mais de 50% da água consumida na região metropolitana, era proveniente do Paraopeba.

O estudo feito pela Copasa aponta o comprometimento do curso d’água em decorrência do desastre e as implicações para o abastecimento tanto na capital quanto em várias cidades vizinhas. Desde 25 de janeiro a companhia não faz a captação no manancial para levar água às casas. 

Winston Caetano de Souza, Presidente do Comitê da Bacia do Rio Paraopeba, esclarece que os reservatórios de Rio Manso e Várzea das Flores – ambos abastecidos pelo rio – estão com níveis razoáveis. “Mas sabemos que, se o período de estiagem for longo, esse nível pode ser reduzido drasticamente e teríamos um cenário de caos”, comenta. Ele também reforçou que a obra de captação a ser feita pela Vale também não é simples. “Precisamos saber se haverá tempo hábil”, pondera.

O biólogo Tiago Felix, membro da Fundação SOS Mata Atlântica e mobilizador socioambiental do projeto Observando os Rios, afirma que retomar a retirada de água no Paraopeba, mesmo em trechos considerados preservados, é uma operação de risco.

“Entre Brumadinho e Três Marias, por exemplo, há quase dez vezes mais metais pesados que o permitido por lei”, garante. “Mas como os poluentes estão difusos na água, é difícil saber se há tecnologia para se fazer essa captação para um abastecimento em escala tão grande”, destaca o pesquisador.

Saúde das comunidades abastecidas pelo Paraopeba

O rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, no dia 25 de janeiro de 2019, lançou no Rio Paraopeba 12 milhões de toneladas de rejeitos de minério de ferro. Desde então, a população que utiliza a água do rio para todas as necessidades e mora no entorno da área atingida, tem apresentado feridas na pele, diarreia e vômitos frequentes.

Moradores de Juatuba, Mário Campos, São Joaquim de Bicas, Betim, e Igarapé, relatam que a água que chega às comunidades é de qualidade ruim e acreditam que esteja contaminada com o rejeito da barragem Mina Córrego do Feijão, da Vale.

Com pouco mais de três meses da chegada da lama nas comunidades, o rápido surgimento de relatos de problemas de saúde, como feridas e manchas na pele, problemas respiratórios, além do aumento no uso de medicamentos para depressão e ansiedade, acendem o alerta sobre a saúde dos atingidos da bacia do Paraopeba.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui