Moradores do Diamantina reclamam da precariedade das ruas do bairro

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Por 40 anos os moradores do bairro Diamantina sofreram com a falta de pavimentação da rua 9, principal da região, onde ônibus escolares e coletivos eram lendas e não conseguiram circular pelo local. Após muita luta, parte da rua foi finalmente asfaltada. Contudo, a comunidade observa a massa asfáltica se desfazendo e buracos surgindo na pista, a cada caminhão que passa. Segundo os moradores, o fluxo de veículos, principalmente de cargas, cresceu consideravelmente com a ampliação da Tiberina Automotive, localizada na BR-262, que está construindo mais galpões em sua área. E o trajeto feito pelos caminhões até a empresa deixa rastros de destruição.

“Eles contrataram 20 caminhões, daqueles trucados, com três/quatro eixos, ou seja, pesados, carregando 15 metros de terra. Os veículos estão destruindo o asfalto, que foi conseguido com muito custo, briga e manifestações”, conta o morador Celso Gomes.

A comunidade chegou a procurar a empresa e, durante reuniões, ficou acordado que seria feita a reposição da massa asfáltica com a finalização da obra. Entretanto, moradores afirmam que além da rápida deterioração do asfalto, a poeira deixada pelos veículos vem causando danos à saúde. “Pensa em um lugar que está tendo poeira (sic). Minha filha tem rinite alérgica e está sofrendo muito com isso. Está certo que moramos em um lugar que não tem um pingo de infraestrutura, mas nessa época do ano, não era para estarmos passando por isso”, relata Celso.

O morador realizou um teste de poeira, pois em contato com a fábrica, ele teria sido informado que caminhões pipas circulam no local para minimizar o pó. “Eu lavei meu carro às 6h30, quando voltei do serviço às 17h, ele estava pura poeira, ou seja, não estão cumprindo com o combinado, porque se esse caminhão estivesse rodando com frequência, como eles dizem, não teria condições de ter tanta poeira acumulada diariamente como acontece”, explica.

Descarte Irregular

Os moradores ainda denunciam o descaso de alguns motoristas ao descarregarem em local inapropriado. “Eles fazem isso para encurtar o trajeto, jogam terra no meio do caminho, não levam onde deveriam. Como fica uma montanha de areia nesse lugar, quando chove, vira uma calamidade, porque as ruas que cortam a principal são de terra, muito mal conservadas porque a prefeitura não faz manutenção, com isso, o barro vai todo para o asfalto”, afirma Celso.

De acordo com a população local, a prefeitura não fiscaliza a obra e a movimentação da fábrica. “Aí eles vão expandir, a população sofre e quem tem que fiscalizar é o Executivo, mas se esperarmos isso acontecer, vamos comer poeira e quando chover, comer barro, porque eles vão continuar passando por aqui”, diz um morador.

Em reunião extraordinária da Câmara Municipal, os vereadores alegaram que receberam queixas quanto ao local e pediram que a secretária de obras, Rosely Rocha, que estava em plenário, mande um ofício à casa detalhando a situação do local.

O Jornal de Juatuba e Mateus Leme entrou em contato a Tiberina assim que recebeu a denúncia. Em resposta, a direção da fábrica confirma a reunião com os moradores e o compromisso de cuidar de toda extensão prejudicada pela ampliação e garante que não havia sido informada sobre as irregularidades realizadas por alguns motoristas e tomará as medidas necessárias para sanar tal atitude. A empresa salienta que a rota utilizada para o deslocamento dos veículos foi previamente autorizada pela Prefeitura de Juatuba, mas que alterações dos destinos dos caminhões serão feitas.

Indignação

São 250 metros deixados para trás: esse é o comprimento da via que não recebeu asfalto na rua 9, com seu final conhecido como Gerado Nézio Cruz, que liga o bairro à rodovia. De acordo com os moradores, a justificativa é que o trecho não havia sido licitado, com isso, o pedaço restante deixa o acesso ao bairro intransitável em dias chuvosos.

“A situação daqui é lama em cima de lama. Eu já atolei nessa entrada, em um lugar plano, porque a terra desce de todas as ruas. Eles só prometem, fazem a medição da topografia e somem, é só para passar mel na nossa boca. Mas o povo está de saco cheio. Os bairros mais afastados da cidade estão jogados às traças, ninguém aguenta isso mais não”, diz Celso.

O morador lamenta as condições que os juatubenses enfrentam com a falta de infraestrutura do município. “A prefeitura só sabe fazer manutenção e recapeamento; até para trocar as lâmpadas dos postes nós imploramos para mandarem a empresa contratada fazer o serviço. Nós já sofríamos, agora estamos sofrendo dobrado. O povo votou no Adônis e na Célia confiando nas promessas deles e só vejo o prefeito postando foto, falando que comprou isso, aquilo… com o dinheiro público? Com o meu dinheiro? Isso é revoltante e quando a prefeitura é chamada para dar uma solução no problema, não faz nada”, desabafa.

O Jornal de Juatuba e Mateus Leme também entrou em contato com a Prefeitura e pediu explicações quanto à situação atual da rua afetada, todavia, até o fechamento desta edição não houve resposta.

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