Projeto esportivo social transforma a vida de centenas de crianças e jovens

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Além de dar à população oportunidade para expor as demandas de cada região, o S’PASSO BAIRRO A BAIRRO é uma seção que também temo como objetivo mostrar as boas ações executadas em cada localidade e atitudes que contribuem para uma sociedade melhor. Esta semana, a reportagem esteve com o instrutor de futebol Marcos Antônio Ferreira, que desenvolve um trabalho esportivo no Cidade Nova e Garcias, atendendo toda a região, que abrange também o Aeroporto, ao lado do instrutor Manoel Lúcio Barbosa. Os projetos veem gerando grandes mudanças na vida de centenas de crianças e adolescentes.

Marcos, que é educador físico há mais de 20 anos, assumiu a escolinha de futsal mantida pela Prefeitura no Cidade Nova há sete anos. E conquistou o apoio de toda a comunidade ao repassar aos meninos os valores da união, estimulando-os a serem bons dentro e fora de quadra. A iniciativa começou a ganhar visibilidade, sendo reconhecida em Itaúna e várias cidades no entorno, como um exemplo a ser seguido.

“Quando eu cheguei lá, a escolinha, em termos de disciplina e material,era totalmente desestruturada. Gosto de primeiro estruturar, buscar uniformes de treino para os garotos, a partir de patrocínios do comércio local. No Cidade Nova, nós somos muito bem equipados. Temos camisa de treinamento, uniforme de jogo, até blusas de goleiros conseguimos. Eu fui muito bem aceito e faço acompanhamento escolar dos alunos, vou à instituição de ensino olhar as notas deles. Isso aí eu não abro mão”, conta Marcos.

O instrutor diz que as empresas sempre apoiam a escolinha de futsal quando conhecem o projeto a fundo.“Eu procuro o pessoal, mostro como funciona, falo dos planejamentos. Isso é muito importante para conseguir patrocínio. Sempre encontroas portas abertas, em todos os bairros em que eu trabalhei. Nós temos vários patrocinadores que confiam no nosso trabalho, o que é essencial”, afirma.

Atualmente, as escolinhas de futsal e futebol do Cidade Nova e Garcias, respectivamente, atendem mais de 400 meninos, na faixa etária entre cinco e 17 anos. “Eu acredito que já treinamos mais de três mil garotos. Há uns quatro anos, eu passei a contar com o professor Manoel, o que engrandeceu demais o trabalho. Ele tem contribuído muito em tudo, com disposição para fazer o melhor pelos alunos.Cada escolinha tem cerca de 200 participantes, só na do Cidade Nova são 220, então era necessário ter mais um instrutor”, explicou.

Desempenho escolar

Marcos Antônio Ferreira destaca os benefícios garantidos às crianças devido à parceria com a escola em que os jovens atletas estudam.

“O nosso trabalho na escolinha visa muito o resultado e o comportamento nas aulas curriculares e dentro de quadra. Lutamos para sermos campeões, entramos em todos os campeonatos, do Tropical, Iate, Ceplt, da Secretaria, e, além do resultado social, conquistamos vários títulos. Mas, para jogar, eles precisam estar bem na escola. Semana passada, por exemplo, na categoria Sub-7, nós iríamos convocar um menino, porém, fui informado de que não estava fazendo os deveres. Conversei com a professora e depois com ele, que afastei da partida. A mãe me procurou, falando que deu certo demais, que o garoto prometeu cumprir as obrigações para participar das próximas disputas.Eu fico muito feliz, porque eu me preocupo com a educação. Relacionar o futsal com os resultados em sala está dando certo também para a escola. A diretora sempre fala comigo sobre isso”, relatou.

Marcos comentou sobre os desafios de manter crianças e adolescentes ligados no esporte, que garante mais qualidade de vida, disciplina e interação social, em meio a tanta tecnologia.

“Hoje, com o acesso amplo aos games, celular, TV a cabo, poucos meninos estão comprometidos com as atividades esportivas. Nós temos essa dificuldade e eu acho que envolve mais os pais das crianças, principalmente os que estão na faixa etária entre cinco e dez anos. Muitas vezes, incentivam a ficar na frente da televisão para não ter que levá-lo aos treinos”, comentou.

Ações pela comunidade

Além de se dedicarem aos treinos, os atletas da escolinha de futsal do Cidade Nova e da escolinha de futebol do Garcias sempre estão engajados em alguma campanha social, promovida pelos instrutores Marcos e Manoel.

“Nosso intuito principal é o trabalho social com as crianças. Eu sou um treinador que friso muito isso aí. Sempre falo com os pais.Nós temos quatro tipos de projetos que passamos para os meninos. Já fizemos, por exemplo, doação de brinquedos e de leite. Quando o aluno é carente, realizamos um trabalho para ajudá-lo, corremos atrás.Contamos com empresas que nos auxiliam também nesses casos.Essas iniciativas ajudam bastante e também promovem a conscientização sobre a solidariedade, desperta e estimula esse sentimento. Nós fizemos um trabalho em relação à Dengue,até a imprensa de Divinópolis veio fazer entrevista com os garotos”, disse.
O profissional comentou ainda acerca das orientações que sempre são repassadas aos atletas. “Em todo treinamento, eu e o professor Manoel conversamos com os meninos pelo menos 20 minutos, instruímos sobre o que eles não devem fazer na rua e em casa”.

Participação da família

Um dos fatores que certamente contribuiu para que a comunidade abraçasse as escolinhas foi o acolhimento à família e o incentivo à participação no dia a dia dos alunos.

“Procuramos promover muito essa questão. No ano passado, arrumamos um ônibus,na Semana da Criança, fizemos um especial para o Parque Municipal, em Belo Horizonte. O menino só poderia ir com os pais. Muito interessante, eu vi filho, mãe e pai se divertindo no Parque Municipal, andaram na roda gigante, carrinho bate-bate… A escolinha é uma família e a família dos garotos precisa caminhar junto. Eu também levei os meus para a escolinha. O meu filho, o Gabriel, é goleiro, categoria 2004, e tenho o Rafael, que ajuda demais na parte de marketing. Os desenhos dos uniformes, todos foram feitos por ele e estão sendo muito elogiados pelos patrocinadores e pelos pais. O Rafael também toma conta da rede social, mantendo todo mundo informado. Ele ajuda demais e tudo isso é como voluntário”, relatou Marcos.

O treinador lembrou que de dois em dois meses são realizadas reuniões com os pais, nas quais é explicado o processo do treinamento. Além disso, em todo final de ano, há uma festa de confraternização, que conta também com a presença dos familiares.

Time das mães

Este ano, a escolinha do Cidade Nova ganhou uma nova categoria. O instrutor Marcos fundou o time com as mães dos garotos. Mesmo com pouco tempo de formação, a equipe já entrou para disputar o Circuito Itaunense de Futsal e chegou à fase semifinal.

“Tem cinco meses que nós estamos treinando essa equipe feminina, na terça e na quinta, e estamos na semifinal do campeonato. Foi uma grande surpresa, pelo pouco tempo de preparação.Elas vinham pedindo, porque eu já tenho a equipe do Flamengo, com futsal e futebol de campo. Como no Flamengo tem muitas mulheres, que são mães e treinam, eu pensei em montar também no Cidade Nova. Isso é muito bacana porque elas podem sentir o que os filhos sentem ao entrar dentro de quadra num campeonato. Os meninos vão aos jogos, torcem, é uma coisa muito boa, é um intercâmbio e está dando certo”, comemorou.
Exemplo de cidadania

Marcos é morador do Cidade Nova há 15 anos e membro da Associação Comunitária há oito. Na escolinha de futsal do bairro, ele atua como funcionário da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer. No entanto, ainda mantém um trabalho voluntário no São Geraldo.

“A escolinha lá foi fundada no dia 25 de abril de 2001 e eu atuo até hoje, faça chuva ou faça sol. Nós estamos com mais de 120 crianças, são meninos da região.Quanto mais levarmos as crianças para o esporte, menos violência nós teremos e menos pessoas seguirão por caminhos errados. Os menores precisam se envolver com as atividades desportivas, independente do tipo de modalidade”, salientou.

Sobre o trabalho como liderança de bairro, ele destacou o trabalho em conjunto para tornar o lugar cada dia melhor. “Todo mês nós temos reuniões. Eu já sou membro há oito anos e nossa chapa foi reeleita. Nós reestruturamos totalmente o Centro Comunitário, pintamos, colocamos piso na frente… Quando assumimos, o espaço estava abandonado e hoje pode sediar qualquer tipo de evento. A população aqui é muito unida”, concluiu.

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