QUEIMADAS: Mateus Leme registra recorde histórico de ocorrências

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Os maiores incêndios aconteceram na Serra do Elefante deixando rastro de destruição da fauna e flora

Setembro foi trágico para o meio ambiente de Mateus Leme. O mês registrou o maior número de queimadas dos últimos 21 anos e, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, INPE, o satélite detectou mais de 100 focos ativos, ou seja, incêndios de qualquer natureza e intensidade no município. Este é o maior registro de ocorrências na cidade registradas pelo órgão desde sua criação, em 1998.

A combinação da irresponsabilidade humana com a baixa umidade relativa do ar, que alcança os menores índices entre os meses de junho a setembro, faz com que os incêndios, sejam eles criminosos ou não, cresçam no período. Entretanto, os relatórios do INPE deixaram as autoridades em alerta, uma vez que, em setembro, o número superou todo o ano de 2018, quando foram registrados 21 focos de incêndio.

O local com maior concentração de queimadas foi na Serra do Elefante, área de preservação ambiental e, de acordo com a ONG Brigada-1, foram mais de nove focos verificados pelos brigadistas nas últimas semanas. De janeiro a setembro, foram contabilizados mais de 25 combates realizados pela B-1, enquanto 2018, foram 11.

O último incêndio registrado foi devastador e durou cerca de 24 horas. A Brigada-1 teve dificuldades para controlar as chamas que estavam em local íngreme e de difícil acesso. O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas estava em outras ocorrências e, por isto o fogo teve de ser controlado pelos próprios brigadistas.

A coordenadora da Brigada-1, Sileny Andrade Menezes, acredita que os incêndios são, em sua maioria, criminosos e que poderiam ser evitados. “As queimadas afetam as nascentes e os animais silvestres que acabam fugindo do habitat natural. Nossa Serra tem árvores raras, que levaram anos para crescer e que são rapidamente dizimadas pelo fogo. Muitos pássaros morrem queimados tentando proteger os filhotes e, tudo isso é causado pela irresponsabilidade de alguns, que não pensam no mal que causam”, desabafa.

Para Cleide Nilza Cândido, presidente da Associação Amigos da Serra do Elefante – AASE -, instituição vinculada à Brigada-1, os dados sobre a quantidade de queimadas registradas, confirmam a importância de uma atenção especial de toda sociedade para a preservação da Serra do Elefante. “Em períodos normais de seca, que compreende os meses de maio até agosto, atendíamos em torno de nove focos por mês, às vezes até menos. Em setembro, superamos esse número e houve registro de incêndios de grandes proporções, que causaram danos irreparáveis”, conta.

Alerta máximo

Em resposta ao JORNAL DE JUATUBA E MATEUS LEME, a secretaria de Meio Ambiente informou que mantém alerta máximo em relação às queimadas e que o tempo seco das últimas semanas fez com que a administração redobrasse a atenção, principalmente na Serra do Elefante.

A responsável pela pasta, Rosilândia Maia, diz que 2019 está registrando menos chuva e menor umidade relativa do ar e, por isto, a vigilância constante em ambientes propícios a focos de incêndio é essencial. “A população pode ajudar muito tomando os devidos cuidados em áreas de vegetação seca. São imprescindíveis também os cuidados com escapamentos de veículos nas estradas e ações educativas que conscientizem os motoristas a não jogar bitucas de cigarros ou palitos de fósforos pela janela do veículo. É importante ressaltar que 98% dos incêndios são provocados”, diz. Segundo a legislação brasileira, responsáveis por provocar incêndios criminosos podem pegar de dois a quatro anos de prisão e multa. Já quem for responsabilizado por provocar queimadas sem intenção, pode ser condenado a prisão de seis meses a um ano e multa.

Ajuda financeira

Devido ao grande número de focos de incêndios e queimadas registrados, a Brigada-1 enfrenta dificuldades para manter os equipamentos e brigadistas. “Temos um número ideal de combatentes para as queimadas pequenas, mas como o número está maior, a equipe ser tornou pequena. É preciso lembrar que todos são voluntários, treinados e capacitados e que se arriscam para proteger a Serra do Elefante e a população de Mateus Leme”, relata Cleide.

Segundo a coordenadora da Brigada-1, Sileny Andrade, o trabalho sensibilizou o prefeito Júlio Fares que destinou recursos para ajudar a ONG. “Agradecemos ao prefeito que encaminhou ofício à Câmara, através do secretário Marcus Júnior, pedindo a aprovação de recursos para que possamos manter os serviços e também regularizar a documentação do carro da Brigada”, afirma.

Outra ajuda foi o apoio do vereador Reginaldo Rodrigues que, em parceria com empresas de Belo Horizonte, conseguiu recursos para o conserto do veículo da instituição, que estava parado há dois anos. “A Toyota fazia o transporte dos brigadistas e dos equipamentos, mas por falta de manutenção e documentação atrasada não estava sendo usada. Estávamos combatendo as queimadas com carros dos próprios voluntários”, conta a presidente da AASE.

Ações de prevenção e educativas

A Brigada-1 não age somente no combate e prevenção de incêndios. A ONG faz vistorias na Serra do Elefante para recolher lixo e, através de palestras em escolas e empresas, conscientiza sobre os danos que as queimadas causam à natureza e à população.

A Brigada-1 é a maior brigada de prevenção e combate à incêndios florestais de Minas Gerais, atualmente mantém mais de 150 combatentes e todo ano oferece cursos para novos brigadistas. Os voluntários ficam em alerta 24 horas por dia e o apoio da comunidade é essencial para o sucesso do trabalho de combate e prevenção de incêndios. “Os danos causados são muito grandes e vão além da destruição da fauna e flora. A população também sofre com a fumaça que causa várias doenças respiratórias”, explica Cleide Cândido.

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