Sem recursos da Prefeitura, creche no Satélite funciona com Voluntários

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Prefeitura não repassa recursos e creche funciona com doações

Depois de sete meses de obras e investimentos de mais R$ 50 mil, conseguidos através de doações e trabalho voluntário, a Associação dos Moradores Amigos do bairro Cidade Satélite – AMACS – concretizou o sonho dos moradores do bairro de ver a Creche “Pintando 7” em pleno funcionamento. Porém, o que parecia um sonho realizado se tornou um problema, uma vez que a Prefeitura negou o repasse de verbas para manter a instituição.

Com a falta de apoio e a crescente necessidade da comunidade, a AMACS reuniu voluntários e, com doações principalmente de alimentos, colocou o espaço para funcionar e as aulas começaram nessa segunda-feira, 02.

“Colaboradores doam merendas, frutas e seguimos rigorosamente o cardápio elaborado pela Secretaria de Educação, inclusive com acompanhamento da nutricionista do município. Decidimos iniciar os trabalhos com poucas crianças, pois sabemos da responsabilidade que temos pela frente. Não adianta abrirmos para mais crianças se não temos recursos para mantê-las”, declara a diretora voluntária, Eliene Randolfo

Localizada na rua José Manoel Fonseca, a creche foi credenciada pelo Conselho Municipal de Educação de Juatuba em junho e está apta a atender crianças de seis meses até três anos e 11 meses, em tempo integral.

De acordo com a diretora o espaço físico permite abrigar até 50 crianças, mas hoje são atendidas 11. “Esperamos chegar a 20 crianças atendidas até o final do mês e esta é nossa capacidade máxima, pela falta de recursos. A creche funciona com 14 trabalhadores voluntários que se dividem entre os turnos da manhã e tarde.

“É preciso que a prefeitura olhe para nossa comunidade e, principalmente, entenda o quanto os pais precisam desse lugar. A Associação se responsabilizou por toda reforma e agora está à frente do funcionamento da creche, mas só estamos conseguindo por causa das doações. Não sabemos quanto teremos no próximo mês e por quanto tempo vamos conseguir continuar funcionando. É preciso que a prefeitura se empenhe para não deixar este projeto acabar, assim como todos aqui estão empenhados”, diz a diretora voluntária.

Os pais, que estavam ansiosos pela abertura da creche, comemoram o funcionamento com receio; muitos desabafaram com nossa reportagem a dificuldade de conviver com a incerteza de ter um local para deixar os filhos, “A prefeitura deveria dar apoio ao projeto que beneficia nossas crianças. É preciso que a administração motive e remunere os profissionais para que eles possam prosseguir com o trabalho”, salienta Daniela Duarte, mãe de um aluno de três anos.

Daniela, contou a nossa reportagem que estava aflita pelo início de funcionamento da creche, pois não tinha com quem deixar o filho. “Eu trabalho dois horários e, às vezes, não tinha com quem deixa-lo; fiquei muito feliz quando a creche abriu, porque sei que meu filho agora tem um lugar para ficar e eu posso trabalhar com a tranquilidade de que ele vai estar bem”, afirma.

Outra mãe, Vitória Silva Balbino, explica que também não tinha como trabalhar porque não tinha onde deixar a filha de dois anos. “Eu não tenho condições de pagar alguém para ficar com ela, então não trabalhava; mas agora que ela está na creche, já estou procurando emprego. Um lugar como este para nossas crianças era o que precisávamos. Vejo que as pessoas daqui são muito atenciosas, trabalham por amor, mas acredito que merecem sim ser remuneradas pelo profissionalismo, empenho e dedicação”.

Falta de repasses

Nossa reportagem procurou o vereador Leonardo Ferreira, o Léo da Padaria, autor do projeto de lei que garantiu que o imóvel da Prefeitura onde é a sede da instituição, fosse dado em comodato para a Associação por 10 anos. Segundo ele, a Associação assumiu a reforma do prédio que terminou no mês de abril. “Inauguramos no dia 27 de abril e ficamos na expectativa de que o novo governo assumisse. Como a administração conhece o espaço, o trabalho da Associação e sabe da importância da creche, imaginamos que fosse nos ajudar, mas nada foi feito”, relata o vereador.

Mas a decepção veio em seguida, quando o poder público alegou que perante a lei 13019 é preciso que a instituição esteja funcionando por 12 meses para ser vinculada ao órgão. Entretanto a AMACS questiona esta decisão, uma vez que a creche está vinculada ao seu CNPJ que foi criado e está em atividade desde 2014.

Nossa reportagem procurou a prefeitura para se pronunciar sobre o funcionamento da creche com voluntários e também sobre a falta de repasse financeiro para a instituição, mas até o fechamento desta edição, a administração não se pronunciou.

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