Vila Maria Regina cobra retomada de projeto para calçamento de vias

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“Nós estamos esquecidos, essa é a palavra exata”, desabafa morador do bairro diante dos problemas recorrentes

Prometida há mais de quatro anos, as obras de pavimentação no bairro Vila Maria Regina, em Juatuba, ainda sequer foram iniciadas. Essa semana, a coluna BAIRRO A BAIRRO esteve na região para ouvir os moradores, que, em entrevista, relataram o desamparo por parte da administração.

Segundo Davi Araújo, a população vem travando uma luta para conseguir que a parte de cima do bairro, considerada “área rural”, receba obras de calçamento há mais de quatro anos. O morador explicou que em 2015 reuniu-se com outros residentes para cobrar uma solução da administração à época, ao qual abriu um processo de licitação para a escolha da empresa responsável pelo calçamento da Alameda Ipê Branco, Alameda Peroba, Acácias e Cerejeira. Ainda segundo o morador, as obras deveriam ter ocorrido em um período de cinco meses, com custo de R$418.895,38 aos cofres do Município. Contudo, passados os anos e com a troca de gestão, o processo acabou engavetado. “Foram dois anos apenas para fazerem a licitação. Agora que o prefeito mudou, eles simplesmente esqueceram da gente. A licitação está pronta, mas não estão nos dando prioridade. Nós estamos esquecidos, essa é a palavra exata”, desabafou Davi.

O popular disse ainda que pela falta do calçamento no local, os moradores estão sendo impedidos de receber o serviço de limpeza da Prefeitura, que é condicionado a ruas pavimentadas. E, quando entram em contato com os setores responsáveis, são informados que o bairro está enquadrado na categoria de “área de sítio”, justificando, assim, o atraso nas obras. “Se fizessem o calçamento para nós já estava bom. Tem que acabar com esse paradigma de que isso é zona rural. Isso aqui é um bairro”, exclamou Davi Araújo.  

Além disso, a grande quantidade de poeira no local tem prejudicado a população, que disse sofrer com problemas respiratórios. “Nós temos crianças pequenas. O meu (filho) menor, graças a Deus, tem três meses que não vai ao hospital. Mas, da última vez, ele chegou até a ter uma parada cardíaca. Levei ele ao pediatra e o médico disse que era para fazer com que os meninos evitassem poeira. Mas como é que evita? Eu tenho que lavar minha casa um dia sim e um dia não e ela fica só fechada”, contou a dona de casa Kátia Batista, mãe de gêmeos de apenas 10 meses de idade.

Como consequência aos problemas respiratórios enfrentados pelas crianças, Kátia explicou que teve que recorrer ao Sistema Único de Saúde – SUS, entretanto, somente um dos insumos pode ser adquirido. “Dessa forma não dá. Sinceramente, eu tive que ir ao SUS para conseguir os remédios. Você acha que consegui tudo? Peguei somente um deles. O outro vou ter que comprar”, finalizou.

Procurada, a Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Juatuba informou que o processo de licitação havia terminado e que uma empresa chegou a ser escolhida para realizar as obras. Entretanto, a vencedora do processo disse não haver mais interesse em executar as obras de pavimentação. Ainda foi informado que a Prefeitura aguarda orientações da Caixa Econômica, que é detentora do convênio, para prosseguir com o projeto.

Violência e tráfico de drogas    

A reportagem também visitou a outra parte do bairro, próxima à rodovia, onde foi informada pelos moradores que o tráfico de drogas tem ocorrido em plena luz do dia. Segundo relato dos moradores, os casos envolvendo crimes violentos têm sido presenciados pela população com frequência. “Eu moro aqui há 20 anos e não aguento mais ver essa quantidade de usuários de drogas andando pelas ruas. O pessoal trafica de dia mesmo, na cara dura. Nós, comerciantes, é que pagamos o pato por isso, porque nós somos os alvos dos assaltos”, desabafou um comerciante que preferiu não se identificar por medo de represálias.     

A Polícia Militar informou, com base nas reclamações dos moradores, que a cidade de Juatuba obteve uma diminuição nos crimes violentos de 26% somente esse ano, sendo realizadas 271 prisões/apreensões e cerca de 1.750 operações nos 54 bairros do município. O tenente Renato Alves explicou que, embora as ações no Vila Maria Regina estejam ocorrendo com frequência no combate ao tráfico de drogas, ainda é difícil manter os infratores detidos, já que a legislação proporciona que os mesmos respondam o processo em liberdade.   

“A mobilização social é essencial para que possamos oferecer um trabalho com eficiência. Todos deveriam se comprometer com a segurança pública, através de denúncias e informações sigilosas, via 190 ou 181. A Polícia Militar trabalha em parceria com a comunidade. Isso é de suma importância. Críticas construtivas são importantes. Contudo, acredito que o mais importante é trabalharmos em equipe para solução dos problemas, pois segurança pública é uma via de mão dupla”, afirmou o tenente Alves.

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